O tempo passa..! Desabafos em Agosto, poemas em Setembro e, de repente, Agosto do ano seguinte.
O tempo passa... e com ele tanta coisa se acrescenta, tanta coisa desaparece, tanta coisa se transforma.
Pensar no ano que passou, não é preciso grande esforço, foi ontem, é hoje? Hoje não é certamente, se fosse tantas coisas seriam mais fáceis, outras tantas tão mais difíceis. Quanto a ontem... bem, ontem é vago e todo o ano parece estar tão próximo e já que não é hoje, por que não ontem? De pequenos dizemos que o que está para trás foi ontem, até porque não se sabe fazer a distinção do tempo que passou para trás, ou sabíamos e deixamos de estar certos com o salto para outras idades? Uma coisa é certa um ano podia muito bem caber no Ontem que acabou de passar.
A mente humana é dolorosa, estranha, complexa, única, fascinante, reconfortante... é o melhor dos amigos e o pior dos inimigos. Assusta, dá palmadinhas nas costas, maravilha...
Começo a perceber a conversa do "este Verão passou a correr" e "ainda Ontem era 2011" e muitas outras que começaram a fazer sentido. Isto assusta. Os anos não param de correr, as coisas - que podem para já ter este nome - não param de acontecer e quando acontecem é tarde para voltar atrás, ou quando não acontecem na devida altura podem não ter mais margem para acontecer, mas isso já foi discutido. É fazer sem medo mas ter medo de fazer é um (?) constante. Então... espera lá... não dependemos de nós. Por muito medo de fazer ou fazer sem medo há pessoas à nossa volta que podem ter coragem a mais ou medo de menos. Isto para dizer o quê? Qual é o ponto de ter ou não medo se o medo pode vir atrás de nós de outras maneiras e feitios sem podermos fazer nada? E é nessas alturas que a mente pode ser amiga ou inimiga.
Queremos ter o controlo de tudo, não queremos dor, nem um inimigo permanente dentro de nós, queremos felicidade e um amigo com o qual podemos contar, sempre connosco. O problema está na ausência de controlo, ainda bem... ainda mal. Não temos de controlar para que o inimigo não exista. E, uma vez que não há controlo e a informação que temos, cada vez mais, está longe de ser perfeita, o melhor que podemos fazer é encontrar o equilíbrio entre o medo e a acção e esperar que à nossa volta o mesmo seja feito dando origem a um óptimo de Pareto.
Mesmo que este óptimo não seja, na prática, um equilíbrio, uma coisa é certa: depois de sofrer, depois de rir, depois de amar, depois de tudo e com a mente limpa, numa tentativa de ser racional, o que fica não pode ser o inimigo. O inimigo fica quando não se está bem, quando se pensa nele. O que fica, e isso, com toda a certeza que se pode ter, e mais houvesse, é o reconforto de outros tempos... melhores ou, simplesmente, diferentes e a esperança de que no futuro, Amanhã, esses tempos se reproduzam indefinidamente. Era tão mais fácil se o que temos dentro de nós nos quisesse dar uma ajudinha ás vezes e formatasse umas parcelas. De qualquer forma nós vamos formatando numa tentativa de ensinar como se faz, na esperança de que um dia seja automático, ou melhor ainda, não precise de o ser.
O tempo passa... e, com ele, nós, para não passarmos, vivemos a aprender e apreender hoje o Ontem que vamos usar Amanhã.