quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Desabafo de uma Mente Amiga

O tempo passa..! Desabafos em Agosto, poemas em Setembro e, de repente, Agosto do ano seguinte.
O tempo passa... e com ele tanta coisa se acrescenta, tanta coisa desaparece, tanta coisa se transforma.

Pensar no ano que passou, não é preciso grande esforço, foi ontem, é hoje? Hoje não é certamente, se fosse tantas coisas seriam mais fáceis, outras tantas tão mais difíceis. Quanto a ontem... bem, ontem é vago e todo o ano parece estar tão próximo e já que não é hoje, por que não ontem? De pequenos dizemos que o que está para trás foi ontem, até porque não se sabe fazer a distinção do tempo que passou para trás, ou sabíamos e deixamos de estar certos com o salto para outras idades? Uma coisa é certa um ano podia muito bem caber no Ontem que acabou de passar.

A mente humana é dolorosa, estranha, complexa, única, fascinante, reconfortante... é o melhor dos amigos e o pior dos inimigos. Assusta, dá palmadinhas nas costas, maravilha...
Começo a perceber a conversa do "este Verão passou a correr" e "ainda Ontem era 2011" e muitas outras que começaram a fazer sentido. Isto assusta. Os anos não param de correr, as coisas - que podem para já ter este nome - não param de acontecer e quando acontecem é tarde para voltar atrás, ou quando não acontecem na devida altura podem não ter mais margem para acontecer, mas isso já foi discutido. É fazer sem medo mas ter medo de fazer é um (?) constante. Então... espera lá... não dependemos de nós. Por muito medo de fazer ou fazer sem medo há pessoas à nossa volta que podem ter coragem a mais ou medo de menos. Isto para dizer o quê? Qual é o ponto de ter ou não medo se o medo pode vir atrás de nós de outras maneiras e feitios sem podermos fazer nada? E é nessas alturas que a mente pode ser amiga ou inimiga.

Queremos ter o controlo de tudo, não queremos dor, nem um inimigo permanente dentro de nós, queremos felicidade e um amigo com o qual podemos contar, sempre connosco. O problema está na ausência de controlo, ainda bem... ainda mal. Não temos de controlar para que o inimigo não exista. E, uma vez que não há controlo e a informação que temos, cada vez mais, está longe de ser perfeita, o melhor que podemos fazer é encontrar o equilíbrio entre o medo e a acção e esperar que à nossa volta o mesmo seja feito dando origem a um óptimo de Pareto.

Mesmo que este óptimo não seja, na prática, um equilíbrio, uma coisa é certa: depois de sofrer, depois de rir, depois de amar, depois de tudo e com a mente limpa, numa tentativa de ser racional, o que fica não pode ser o inimigo. O inimigo fica quando não se está bem, quando se pensa nele. O que fica, e isso, com toda a certeza que se pode ter, e mais houvesse, é o reconforto de outros tempos... melhores ou, simplesmente, diferentes e a esperança de que no futuro, Amanhã, esses tempos se reproduzam indefinidamente. Era tão mais fácil se o que temos dentro de nós nos quisesse dar uma ajudinha ás vezes e formatasse umas parcelas. De qualquer forma nós vamos formatando numa tentativa de ensinar como se faz, na esperança de que um dia seja automático, ou melhor ainda, não precise de o ser.

O tempo passa... e, com ele, nós, para não passarmos, vivemos a aprender e apreender hoje o Ontem que vamos usar Amanhã.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

By your side

By your side I’ll always be,
Like a river to the sea.
Just let me hold you,
I swear I won’t try to control you.

Nobody’s perfect ,
Neither you nor I,
I’m trying to comfort you
Just don’t be sad, smile
And you’ll make my life worthwhile.

You think this is gay but you’ll like it.
I can’t be silent, sorry,
Since the mouth can’t say it
The heart sure will…

You triggered this,
Don’t you regret it
Cause we’ll be here to face it

I don’t want to become repetitive
Nor to sound very poetic
I’ll just say: I love you

sábado, 13 de agosto de 2011

Amor

Queixava-me porque não escrevia. Agora queixo-me porque escrevo. Quando dói escreve-se mais facilmente, é chato. Não quero discutir a ausência de posts mas sim a ausência de outra coisa, coisa essa tão mais importante que faz com que a relevância de um post seja aproximadamente zero (a não ser que o post seja sobre ela).

Uma pessoa apaixonada é perigosa, está necessariamente dependente de outra. Tudo o que faz acaba por tender para a pessoa sobre a qual recai a tal paixão, o tal amor (e não são precisos ímans, ou eles estão lá e não os vemos?). Dizem que o amor é lindo, mas não sabem o que dizem, aliás muito é dito e pouco é pensado. Não que o amor não seja lindo não me interpretem mal. Mas se o queremos qualificar não podemos parar por aí: ele é perverso, complicado, imprevisível, instável...

Mas esperem, o problema não está no amor em si, está na relação que se estabelece à volta dele. Nós deformamos tudo, é inevitável. Apesar disso, o pior é quando nos tiram a pessoa, acaba-se a relação e ficamos só com amor em estado bruto, sem deformações. E digo que é o pior porque a ele junta-se a ansiedade, a saudade, o medo, a dor... Um estrangulamento interno que não conseguimos parar e pedimos a quem o consegue que pare (por favor!)

Entretanto os olhos ficam vermelhos, a voz embargada e o coração apertado e nós, nós só queremos uma coisa... Agora tenho quase a certeza que não há ímans. Se existissem não estava a escrever.

Isto para dizer que te amo. Agora ouve...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Faraway, so close!

A cabeça nunca entra de férias. Temos de viver com isso.

Este é para ti que me segues e de quem vou ficando perto, porque não consigo estar longe. Não, não é uma declaração de amor, é uma declaração do respeito e tudo o que sinto por ti. Não, não é para ficar bonito, nem coerente é para ficar sentido e verdadeiro. No dia-a-dia há coisas que ficam por dizer que deviam ser ditas e fico contente por cada vez ficarem menos por contar. Nunca fui bom com tabus e não vai ser agora que essa realidade se vai inverter. Sei, porque confias em mim e tu sabes tudo, porque confio em ti.

Com o tempo vou interiorizando outro elemento neste elo de confiança, um elemento que há muito interiorizaste e de quem cada vez gosto mais! Sabemos quem é o elemento porque "sabemo-nos" um ao outro. E é isto que quis escrever para não ficar por dizer.

"Há coisas que nunca mudam", e "diferente não é necessariamente pior" disse alguém que conheço e agora que estou mais crescido percebo perfeitamente. Não fica pior porque não deixamos e vamos continuar a não deixar.

Estás cá há algum tempo e vais continuar a estar, cada vez melhor e agora levas qualquer coisa contigo "à distância de um click" - o melhor slogan que alguma vez vai aparecer neste blog.

Amor pode significar: afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atracção, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, etc. Amar também tem o sentido de gostar muito.

Afinal até pode ser uma declaração de amor, não podemos acreditar em tudo o que lemos, mas aqui a maior parte é verdade!


"[We] can go anywhere..."

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Problema

As pessoas fartam-se do que as faz sofrer. Se puderem, vão evitar problemas. O ponto é: e se formos nós o problema? Nesse caso é fácil encontrar dois desfechos.

No primeiro (e vou ser simpático no primeiro, até porque não há necessidade de ser pessimista e depressivo logo no começo) o problema deixa de o ser, as pessoas apercebem-se do que fazem, amadurecem, crescem, perdoam, se for caso disso, e, quem sabe, até esquecem. Numa segunda perspectiva (não tão simpática, menos colorida e optimista, aliás, há quem a chame de realista, sendo que aqui não será feito esse tipo de juízos) o problema adensa-se, as pessoas não se enxergam, não vêm em si o problema e transportam-no para o outro (o que quer que este seja).

Bem, tudo muito interessante. O problema é objectivo? Não! Depende do sujeito, para ti o problema sou eu, para mim és tu (deixa lá, é mútuo). E é este pormenor que torna a situação instável e precária. Isto porque, normalmente, uma das pessoas tem mais razão que outra, uma das pessoas é, de facto, o maior dos problemas. Pois... e quem é que a convence disso?!

Tem piada que o perdão acaba por estar sempre embrulhado neste assunto: ou o problema é perdoado e deixa de o ser, ou perdoa e seja o que Deus quiser. Mas nem isto é linear. "Porque raio sou perdoado se não fiz nada?". E nem sempre perdoar tem um desfecho imprevisível, muitas vezes é até muito previsível...

Conclusão: Não sejas um problema, mais tarde ou mais cedo (se tudo correr bem, ou mal) dão cabo de ti.

domingo, 12 de setembro de 2010

Ignorância

Porque não?
Sei porquê mas não quero,
Quero mas não consigo,
Consigo mas tenho medo.

Sabes e não queres,
Ou queres e não sabes?

Esta explosão de sentimentos é arrebatadora e o medo transtorna. Voltamos ao mesmo de sempre, à rigidez de um cérebro que impede os impulsos mais fortes e os torna incapazes do que quer que seja. Sem mais nem menos deixamos de querer saber qual seria a resposta e passamos a pensar que não estamos tão mal quanto estaríamos perante um acontecimento menos favorável que poderia vir a acontecer. Mas a verdade é que estamos no pior de todos os estados: assustados, transtornados e a viver numa ignorância perigosa.

Então e se:

Sabes, queres e também tens medo,
Um medo que não me é estranho,
Que nunca pensei ver em ti.
Agora vejo:
És forte mas implacavelmente frágil.
E eu?
Sinceramente não sei.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pontos de Vista

O que são pontos de vista? Todos vemos o mesmo, o que é isso de o fazermos de forma diferente? Todos os olhos funcionam da mesma maneira (uns melhor que outros, quando funcionam), as pessoas é que transformam o que vêm, modificando a realidade. Às vezes dá para pensar se o que vemos é, de facto, aquilo que é verdadeiro, se o que vemos não é modificado pela nossa imaginação ou por estereótipos e preconceitos mal formados. Nesse caso, será que todos estamos errados, todos certos, ou só alguns?

Vemos e processamos (mal ou bem) e é nesse processar que está o erro, porque o ver já se concluiu que é igual (dependendo da graduação). Se assim é, estamos perante pontos que nada têm a ver com esse sentido que é a visão, mas antes outro(s) que não os cinco já conhecidos. Talvez a educação que temos, as conversas em que participamos, aquilo a que somos expostos ... (isto é para os psicólogos resolverem). Aqui só queria referir os tão saudados pontos de vista de que todos falamos, sem saber o que são. Eu cá pelo menos não os entendo na sua totalidade, talvez porque me feche na minha verdade, na minha visão do mundo, igual à de todos os outros, mas filtrada de outra forma. É exactamente disso que se trata, de um filtro diferente. Mais uma vez, se assim é, muitas ilustres pessoas estão a precisar de filtros novos, nesta sociedade em que, cada vez mais, olhamos para filtros sujos e que mal funcionam, ou por outra, funcionam mal (como a inversão de uma palavra faz toda a diferença). De facto, podemos fazer várias interpretações e não somos ninguém para dizer que há filtros sujos quando o nosso pode ser um deles.

Gosto de acreditar que não, mas talvez esse seja o problema de muitos: pensarem que fazem e "vêem" o que está certo e da melhor maneira, quando na verdade mais parece que não vêem nada ou que vêem um mundo paralelo, diferente do nosso. Seria caso para lhes pagar uma ida ao oftalmologista, mas lá está, não é este o problema. O facto é que somos complexos e aqui não há pontos de qualquer natureza que o possam negar.

Noite / Luz

Escuridão.
Confusão de vultos imperceptíveis,
Arremesso de opiniões infundadas,
Fragmentos perdidos, dispersos, incompreendidos...

Não sei onde estás,
Não te vejo, não te oiço,
Nada em mim reage a esta falta de impulsos.
Preciso sentir-te!

Apareces.
E contigo uma luz,
Uma luz límpida e cintilante,
Uma luz efémera e inebriante

Mas onde estavas?
Estavas onde estou.
Desaparecido na noite,
Neste emaranhado de emoções
Que és tu,
Que sou eu,
(Que somos nós...)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Medo

As páginas em branco são assustadoras, mas são as irremediavelmente preenchidas que têm razão para o ser. Preocupamo-nos demais com o que está para vir e não nos apercebemos do que deixámos passar, no que há de importante à nossa volta que se desvanece do presente e se torna passado.

Não damos o devido valor às coisas, mas isso todos sabemos, é a mesma "lenga lenga" do costume: "só vais dar pela falta do que perdeste, quando não o tiveres", o pior de tudo é que (na maioria das vezes) é verdade (até porque se perdemos é porque já não temos). Parece que nessa altura se liga um mecanismo, um leão adormecido que, de repente, já consegue rugir.

E porquê tanta preocupação com o que aí vem? Porque é que tudo se tem de centrar no futuro? Porque é que não podemos seguir o "carpe diem" e temos de viver em constante sobressalto. Não me digam que é impossível não nos preocuparmos por um instante, sem barreiras, estar livre e voar, tirar os pés do chão, sentirmo-nos leves.

É inevitável uma preocupação, nada menos que um medo disfarçado. Afinal de contas é disso que se trata. Vivemos todos com medo(s), todos diferentes, mas todos iguais na sua essência. Medo, receio, preocupação, mau pressentimento, "acho que não devo", "é melhor não", "não" e o próprio "sim". É uma palavra e governa-nos, tornamo-nos irracionais, guiamo-nos por ela e não vivemos, vemos viver e não nos apercebemos. Quanto mais vai demorar até não termos medo?

Precisamos de aproveitar o presente, vivê-lo, encher as páginas à medida que escrevemos, sem medo das que aí vêm e sem medo de não gostar do que se escreve... Podemos sempre arrancar uma folha, no entanto não faz sentido fazê-lo sem a escrever. Também não nos podemos dar ao luxo de arrancar muitas... cada vez ficamos com menos, e depois, onde escrevemos? Pior do que ter medo das páginas brancas é vê-las a chegar ao fim.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Olha que parece mal!"

Estou farto do "ai desculpe", do "não podes dizer isso", do "vê lá o que é que fazes", do "não lhe digas isso porque parece mal"... Sinceramente, cada vez mais, fico sem perceber o porquê deste embrulho refinado, atraente e reluzente, quando, na verdade, o que está embrulhado nem é grande coisa (a maioria das vezes). Não se trata de uma máscara que se põe e se tira, ou de um retoque. Estamos perante um viver fútil e de aparências em que todos se preocupam com o que ostentam e esquecem o que são!

Uma pessoa não pode ir de calções para um determinado sítio porque fica mal, não se podem debater determinados assuntos em frente a determinadas pessoas (os chamados tabus) porque também fica mal... Enfim, mais vale parecer tudo bem e estar tudo mal, do que alguém ter a percepção de que nem tudo está bem e estar tudo menos mal. É um bocado triste pensarmos que deixamos de fazer coisas pelo que vai parecer se o fizermos. É um bocado triste vivermos numa democracia e termos as acções censuradas, não por um lápis azul, mas pelo "parece mal" e pelo "olha o que os outros vão pensar". Claro que esta censura afecta uns mais que outros: afecta mais aqueles que, por natureza, são mais "afectados".

Dá vontade de ir de calções, onde não se "deve", falar do que não se "deve", com quem não se "deve" e, claro, fazer o que não se "deve". Obviamente, não podemos viver numa selva sem princípios e não é disso que se está a falar. O que está em causa é a ausência de verdadeiros princípios e a sua substituição por livros de etiqueta da Sra. doutora Paula Bobone (exemplificando).

Se podemos fazer o que queremos (censurando-nos a nós próprios dentro do que são os nossos princípios e não os pseudo princípios instaurados por uma sociedade superficial) porque razão temos de ouvir as barbaridades que nos dizem e deixar de o fazer?

"Não se deve ter vergonha de se ser feliz por momentos. Não se deve ter vergonha da memória de se ter sido feliz por momentos."

José Luis Peixoto in Uma casa na escuridão



"Don't ever let your mind stop you from having a good time!"

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Quem fez isto?"

Às vezes não conseguimos escolher o que escrevemos, simplesmente aparece cá fora, com uma autonomia que nos espanta, tanto a nós, como aos outros que depois lêem. Dá vontade de visualizar o interior do processo. Como acontece? Porque acontece? E melhor que isso, podemos dominar esta fera que explode e se revela quando menos se espera, ou estamos destinados a ser dominados por ela?

A "fera" não é nada mais nada menos que aquilo que sentimos, aquilo que, por vezes, julgamos não existir ou simplesmente tentamos esconder, mas que, mais tarde ou mais cedo se expõe. Então mas como é que se expõe? Simples. Muitas pessoas têm medo do que os outros pensam, do que os outros vão dizer, da exposição que vão fazer acerca delas. O mais engraçado é que a exposição é feita pela própria pessoa, por mais ninguém! Devemos pensar assim, sem mais rodeios. Somos o que somos e por mais que tentemos subvalorizar ou esconder algo, esse algo vem ao de cima e quando vem, vem mais vivo que nunca. Afinal de contas esteve fechado numa escuridão, que assusta só de pensar, durante tempo suficiente para preparar esse motim.

É nesta altura que ficamos espantados [com o que escrevemos/fazemos] e perguntamos: de onde veio isto? como fui capaz? porque fiz? vou fazer outra vez? Temos de dominar o espanto e em vez de duvidar das nossas capacidades (no fundo é disso que se trata) temos de acreditar e perceber que sempre fomos assim e só agora o descobrimos.

Mas afinal, domamos a fera e apreendemos os "skills" tornando-nos, supostamente, melhores que os nossos "eus" anteriores, ou são só efeitos esporádicos que não conseguimos controlar de tão selvagens que são? Ter todas as respostas nunca teve piada, mas aqui que ninguém nos ouve posso dar uma resposta: depende!

sábado, 28 de agosto de 2010

Cegueira (in)voluntária?

"Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

José Saramago, in Ensaio sobre a cegueira

Parecem cegos que vêem e não querem ver. Estamos perante uma amálgama de chapéus, geleiras, toalhas e outros afins menos perceptíveis (que não deixam de ser importantes no meio desta confusão de cores, cheiros e feitios). O pé de um é a cara do que se segue, num interminável comboio que numa palavra pode ser descrito - desumano. [Aqui o mandamento não é amar o próximo, em vez disso é qualquer coisa como "colar" ao próximo.] Trata-se no entanto, de um comboio em ponto de ruptura prestes a descarrilar. Uns não se conformam com a situação descrita e outros acham-na perfeitamente normal. A guerra começou.

Como podemos chegar a este ponto? Como podemos perder a dignidade e lutar como animais por um território que não é de ninguém e se espera que seja de todos? Estamos cegos e o pior é que, de facto, vemos. Não é preciso pensarmos no "campo de refugiados" descrito acima, já que, no decorrer do dia damos por nós em situações que não achamos serem possíveis (e não é por isso que deixam de acontecer): Uma senhora que pede que lhe arranjem a sombra que está avariada (e, por isso, se desloca); resíduos de uma obra a serem "libertados", livremente, no mar; um senhor que se acha no direito de tirar a vida a outros porque sim... Enfim, uma cegueira (quase) generalizada que põe em perigo a "classe" humana (a qualquer altura a fronteira entre o animal e o homem deixa de existir).

Mas há esperança! Esta reside naqueles (poucos) que vêem, que podem guiar os restantes, mostrando-lhes o caminho. Naqueles que, olhando, vêem e não finjem que não o fazem, que se incomodam, que não se conformam e que reajem.

Os mais cépticos dizem que não é uma pessoa que faz a diferença, resta saber se têm razão.

Vale a pena ser cego e viver com um pé na cara, ou reagir a partir do momento em que o cheiro começa a incomodar?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ar Fresco

(no seguimento de Quatro Paredes)

Estou a olhar fixamente para ti e nada me vem à cabeça, excepto aquilo que veio e rapidamente foi embora, tal é a lentidão de raciocínio. Pensar que em tempos a confusão era tanta, não havia nada na cabeça por não haver tempo, agora, que há tempo, não dá vontade de pensar sequer.

Queixava-me da janela fechada. Abriram-na. E agora? Agora não sei o que fazer com isso. Ainda bem, fico contente. Fico contente por finalmente não me sentir pressionado por tanto e por nada! A lufada de ar fresco chegou e com ela outros sentimentos, outras liberdades, outras confusões, não menos confusas, mas outras. A Espada desapareceu, as paredes permanecem é certo, mas a claustrofobia parece diminuir com o tempo. Até as paredes parecem desaparecer no meio deste renascimento em que me encontro. Já não me sinto entre quatro paredes, pelo menos num dos sentidos da palavra. Agora estou diante de um campo aberto, à espera que o atravessem, que corram, que saltem, que gritem, que riam, que chorem, que discutam, que sejam felizes...

É tudo isto que sinto, uma revolução, um sentir (diferente do pensar de antes) que não consegue ficar fechado sobre si próprio, um sentir que tem de ser isso mesmo: livre, vivo, irreverente, intenso e, acima de tudo, sentido.



terça-feira, 17 de agosto de 2010

Saudades

Uma palavra de três sílabas que, por si só, causa uma imensidão de reacções. Todos sabemos o que quer dizer, mas mais importante do que isso, sabemos o que é sentir essa palavra, nuns momentos mais, noutros menos.

Temos sorte de saber dar nome ao que sentimos, mas não é por isso que deixamos de sofrer, apenas sabemos e podemos dizer aquilo que nos faz sofrer. É por isso, que só de pensar magoa, irrita, enerva e revolta. Mas, afinal de contas, não podemos culpar nada nem ninguém, essa pequena palavra não é nenhuma entidade, aliás, parte de nós, ou seja, se queremos culpabilizar alguém basta olhar para dentro.

Embora seja responsável por uma revolução interior, não é necessariamente algo de mau. Fico contente ao saber que sinto saudade e que a sentem por mim, quer dizer que sinto falta de alguém (existe alguém com quem estou feliz) e que essa falta pode ser recíproca. Para existir tal sentimento, alguma marca tem de ter sido deixada. Nesse caso, neste momento, não devo ter espaço para mais marcas. É como um sufoco, o coração apertado, os olhos avermelhados... uma constante que persegue e dificulta a nossa existência e ao mesmo tempo a facilita (para existir algo de bom aconteceu antes).

Sinto falta do "olá", do "até já", coisas simples que tenho onde estou, mas que, por virem de outras pessoas, não significam o mesmo. Não que o destas novas pessoas não seja bom, mas porque o das outras o era e deixou de o ser porque desapareceu. Pior se torna quando pensamos nas conversas, nos abraços, nos aconchegos, num verão mágico num local paradisíaco que chegou ao fim.

A todos o que sentem o que sinto e lêem o que escrevo, boa sorte.




(Uma música que canaliza este sentimento, em mim, neste momento)

A ilusao de querer e poder

O que queres ser quando fores grande?

Passamos a nossa infância a ouvir, a ler e a tentar perceber esta pergunta. Quando a percebemos deixa de ser fácil a resposta. Afinal é nessa altura que sentimos a responsabilidade da decisão que temos de tomar e damos por nós a pensar "O que queres ser quando fores grande?". A pergunta altera-se: "O que quero ser, o que quero fazer?".

O mais engraçado é que passamos grande parte da nossa existência a pensar em como responder a uma questão que está, à partida, mal construída. Eu querer quero muita coisa, o problema, às vezes, é saber o quê. Mesmo assim, não é neste ponto que surge o erro estrutural. O que eu quero ser pode ser uma enorme barbaridade. Assim, não só temos de pensar no que queremos ser, como também naquilo que podemos, de facto, ser. A outros menos certos de si, mais preocupados com o ruído exterior do que o impulso interior, acresce ainda a preocupação com o que os outros idealizam acerca do seu futuro.

Imaginando que não perdemos o nosso tempo com o erro enunciado, como podemos responder a esta pergunta com algum grau de certeza?

Será a pergunta uma ilusão ou é a resposta que o é?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Definitely, Maybe

Mais um filme, mais uma história. Um filme que vai encontrar uma citação de Charlotte Brontë, da obra Jane Eyre:

"The human heart has hidden treasures, in secret kept, in silence sealed. The thoughts, the hopes, the dreams, the pleasures whose charms were broken if revealed".

Todos temos os nossos segredos, somos incapazes de viver sem eles. Funcionam como máscaras, essas, vão mudando ao longo do dia, somos vários num só. A diversidade unificada que daqui advém está guardada no segredo mais íntimo que alguma vez nos será entregue (não podemos escolher se o aceitamos ou não, não nos é perguntado, e este é nosso, não é de mais ninguém).

Podemos ser hipócritas e pensar/verbalizar que nunca nos "retocamos" em determinadas situações diárias, que nada se altera independentemente do que acontece ou está para acontecer. De facto, ao retirarmos a mascára e disponibilizarmos todos os detalhes, por vezes, o encanto é destruído. Mas tal coisa pode não acontecer. Quando conseguimos estar "nus" perante alguém, sem qualquer retoque, sem qualquer alteração forçada, sem qualquer tentativa de causar uma boa impressão pelo que não somos, é sinal de que algo está bem. Isso seria tanto melhor se fosse verificado nos dois lados da equação, se esse alguém sentisse o mesmo e se abrisse como nós o fazemos.

Poderiam os pensamentos, as esperanças, os prazeres ganhar encanto se revelados?

Definitely, Maybe.


terça-feira, 22 de junho de 2010

P.S. I love you

Acabei de ver um filme. Dele, retiro esta frase (possivelmente distorcida):

The truth is: "Kissing you will be the end of life as I know it"

Quando procuramos nunca encontramos. Quando não procuramos tudo o que queremos "cai" à nossa frente. Pelo menos, com algumas coisas é assim que funciona. Infelizmente, não funciona com tudo.
Mesmo sabendo que não é assim que as coisas se processam, tem de existir esperança de que um dia há-de ser assim.

Quase fazia sentido. Resumia-se ao seguinte: façam sempre o mesmo que um dia conseguem. Mas não, o que se pretende é: acreditem que um dia vão conseguir.

A verdade é que elas não sabem o que querem e isso está comprovado cientificamente (ou passou a estar neste instante) e nós temos de nos sujeitar. É triste mas é a verdade. Quer dizer, o amor nunca será triste, por vezes, quem ama é que, de tão feliz, parece triste. Nós não nos sujeitamos a ninguém, sujeitamo-nos a algo e, por mais que elas não saibam o que querem, nós também não.

Hoje sei o quero, assim como ontem e provavelmente amanhã. Ela não.

P.S. I love you


domingo, 20 de junho de 2010

Tu

És e sempre serás,
Porquê não sei, mas sei que serás.
És tudo o que sempre quis,
Mas Tu nunca percebeste, ou fingiste?

És a perfeição impossível de atingir.
És a beleza que não existe e se centra em ti.
Em duas palavras: és Tu!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quatro Paredes

Entre a Espada e a parede? Talvez não. Mas entre quatro paredes é certo. Sem janelas, não olho para fora, aproveito para olhar para dentro. Confusão. Não há tempo para isso. Não há tempo para nada, mas há tempo para tudo, tem de haver! O que faço? O que fiz? O que farei? Tudo são incertezas a que ninguém sabe responder: Ninguém responde o que agrada, e quem agrada não responde. Não estou sozinho, nestas paredes que me envolvem, mas falta alguém. Falta esse alguém cuja resposta é necessária. Esse alguém, que mesmo sem responder agrada. Não é preciso falar, basta um olhar, é preciso um olhar!

Entre quatro paredes, à espera, esperando por um olhar, por um sentimento que arraste este pensar para longe, por uma janela que se abre e nunca mais torne a fechar. Afinal o que falta é a janela, por favor, alguém que a abra...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz Natal?

Esperamos por esta altura para dizermos tudo o que quisemos dizer ao longo do ano. Infelizmente funcionamos assim, esperamos pela suposta altura do amor, da paz e da alegria para superar as tristezas que ao longo do ano nos atormentaram. Por momentos esquecemos a realidade e entramos no frenesi do Natal, do consumismo irracional em que esta sociedade o tornou. Afinal de contas o que é o Natal? Se perguntarmos aos mais novos a resposta mais provável deve ser: “É quando o pai natal traz os presentes”. Se nem sabemos ao certo o que é porquê o misticismo?

Realmente, Natal é todos os dias, é pena não pensarmos assim o resto do ano… Temos de chegar a meados de dezembro para, de facto, o entendermos.

Mesmo assim, não fujo à regra, esta época (igual às outras) dá para pensarmos (ninguém ultrapassa a ilusão do Natal) no que fizemos e não queríamos ter feito, no que dissemos e não queríamos ter dito… É impossível estar junto das pessoas “afectadas” pelo “espírito natalício” e não sofrer as suas consequências. É um bocado como a gripe e esses afins que são inventados com o passar do tempo, vai-se espalhando.

Se for preciso, nestes dias, esquecemos a “crise”, os palhaços e a desgraça em que este país está a mergulhar, mas tudo isto faz parte do espírito, é normal.

Natal é acordar de manhã e pensar, estamos quase no Natal, vou ajudar a vizinha, estamos quase no Natal, vou comprar uma prenda para a mãe, estamos quase no Natal, vou ligar a um amigo que não vejo precisamente desde o Natal anterior… podia continuar, tudo isto é normal, mas atenção, só no Natal!

Visto desta maneira não parece a mesma coisa, parece simplesmente uma invenção. Qualquer dia é fácil de equipará-lo ao dia-dos-namorados ou coisa que o valha.

É fácil perceber que alguns não gostem desta “época”, que, mesmo sendo igual às outras, tem um nome especial, é definida como época e tem espírito próprio. Percebe-se. É quase como dizer que Fevereiro é mais importante que Março porque tem espírito e tal…

Enfim, às vezes tem piada pensar nestas coisas, porque não?

A todos os que lerem,

Bom fim de ano e que o próximo seja melhor que este, sim estamos quase em 2010 e falta pouco para as pessoas ultrapassarem a letargia natalícia.

Afinal de contas também foi preciso chegar ao Natal para escrever qualquer coisa...


quinta-feira, 23 de julho de 2009

Happiness

É necessário falar sobre o que se passa no nosso mundo e naquilo que tem de ser mudado, no entanto, tudo o resto existe e não só a desgraça e a tristeza. Muitas vezes a felicidade e a amizade são menosprezadas e o que se realça no mundo actual são os defeitos e os vícios...
É engraçado pensar nisto desta forma, tudo o que há de bom neste mundo não é suficiente para fazer as pessoas esquecerem, nem que por momentos o que há de mau. Aliás, muitas das vezes criam-se situações menos agradáveis por mero descuido e pelo facto de não pensarmos no que temos e na vida óptima que vivemos.
Eu cá não me queixo, ou quando o faço, tenho de me incluir nas pessoas que por momentos não pensam...
Resta perguntar: Será a depressão uma doença racional?


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Wide awake

Uns dizem que nada é como deveria ser, outros contentam-se com o que têm sem pensar nisso, outros ainda conformam-se com a realidade que lhes é apresentada!
Aqueles que marcam a diferença são os que não se conformam, aqueles que em tudo o que fazem transparecem a ideia da mudança que tanto anseiam...

"I'm wide awake, I'm not sleeping..."