domingo, 12 de setembro de 2010

Ignorância

Porque não?
Sei porquê mas não quero,
Quero mas não consigo,
Consigo mas tenho medo.

Sabes e não queres,
Ou queres e não sabes?

Esta explosão de sentimentos é arrebatadora e o medo transtorna. Voltamos ao mesmo de sempre, à rigidez de um cérebro que impede os impulsos mais fortes e os torna incapazes do que quer que seja. Sem mais nem menos deixamos de querer saber qual seria a resposta e passamos a pensar que não estamos tão mal quanto estaríamos perante um acontecimento menos favorável que poderia vir a acontecer. Mas a verdade é que estamos no pior de todos os estados: assustados, transtornados e a viver numa ignorância perigosa.

Então e se:

Sabes, queres e também tens medo,
Um medo que não me é estranho,
Que nunca pensei ver em ti.
Agora vejo:
És forte mas implacavelmente frágil.
E eu?
Sinceramente não sei.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pontos de Vista

O que são pontos de vista? Todos vemos o mesmo, o que é isso de o fazermos de forma diferente? Todos os olhos funcionam da mesma maneira (uns melhor que outros, quando funcionam), as pessoas é que transformam o que vêm, modificando a realidade. Às vezes dá para pensar se o que vemos é, de facto, aquilo que é verdadeiro, se o que vemos não é modificado pela nossa imaginação ou por estereótipos e preconceitos mal formados. Nesse caso, será que todos estamos errados, todos certos, ou só alguns?

Vemos e processamos (mal ou bem) e é nesse processar que está o erro, porque o ver já se concluiu que é igual (dependendo da graduação). Se assim é, estamos perante pontos que nada têm a ver com esse sentido que é a visão, mas antes outro(s) que não os cinco já conhecidos. Talvez a educação que temos, as conversas em que participamos, aquilo a que somos expostos ... (isto é para os psicólogos resolverem). Aqui só queria referir os tão saudados pontos de vista de que todos falamos, sem saber o que são. Eu cá pelo menos não os entendo na sua totalidade, talvez porque me feche na minha verdade, na minha visão do mundo, igual à de todos os outros, mas filtrada de outra forma. É exactamente disso que se trata, de um filtro diferente. Mais uma vez, se assim é, muitas ilustres pessoas estão a precisar de filtros novos, nesta sociedade em que, cada vez mais, olhamos para filtros sujos e que mal funcionam, ou por outra, funcionam mal (como a inversão de uma palavra faz toda a diferença). De facto, podemos fazer várias interpretações e não somos ninguém para dizer que há filtros sujos quando o nosso pode ser um deles.

Gosto de acreditar que não, mas talvez esse seja o problema de muitos: pensarem que fazem e "vêem" o que está certo e da melhor maneira, quando na verdade mais parece que não vêem nada ou que vêem um mundo paralelo, diferente do nosso. Seria caso para lhes pagar uma ida ao oftalmologista, mas lá está, não é este o problema. O facto é que somos complexos e aqui não há pontos de qualquer natureza que o possam negar.

Noite / Luz

Escuridão.
Confusão de vultos imperceptíveis,
Arremesso de opiniões infundadas,
Fragmentos perdidos, dispersos, incompreendidos...

Não sei onde estás,
Não te vejo, não te oiço,
Nada em mim reage a esta falta de impulsos.
Preciso sentir-te!

Apareces.
E contigo uma luz,
Uma luz límpida e cintilante,
Uma luz efémera e inebriante

Mas onde estavas?
Estavas onde estou.
Desaparecido na noite,
Neste emaranhado de emoções
Que és tu,
Que sou eu,
(Que somos nós...)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Medo

As páginas em branco são assustadoras, mas são as irremediavelmente preenchidas que têm razão para o ser. Preocupamo-nos demais com o que está para vir e não nos apercebemos do que deixámos passar, no que há de importante à nossa volta que se desvanece do presente e se torna passado.

Não damos o devido valor às coisas, mas isso todos sabemos, é a mesma "lenga lenga" do costume: "só vais dar pela falta do que perdeste, quando não o tiveres", o pior de tudo é que (na maioria das vezes) é verdade (até porque se perdemos é porque já não temos). Parece que nessa altura se liga um mecanismo, um leão adormecido que, de repente, já consegue rugir.

E porquê tanta preocupação com o que aí vem? Porque é que tudo se tem de centrar no futuro? Porque é que não podemos seguir o "carpe diem" e temos de viver em constante sobressalto. Não me digam que é impossível não nos preocuparmos por um instante, sem barreiras, estar livre e voar, tirar os pés do chão, sentirmo-nos leves.

É inevitável uma preocupação, nada menos que um medo disfarçado. Afinal de contas é disso que se trata. Vivemos todos com medo(s), todos diferentes, mas todos iguais na sua essência. Medo, receio, preocupação, mau pressentimento, "acho que não devo", "é melhor não", "não" e o próprio "sim". É uma palavra e governa-nos, tornamo-nos irracionais, guiamo-nos por ela e não vivemos, vemos viver e não nos apercebemos. Quanto mais vai demorar até não termos medo?

Precisamos de aproveitar o presente, vivê-lo, encher as páginas à medida que escrevemos, sem medo das que aí vêm e sem medo de não gostar do que se escreve... Podemos sempre arrancar uma folha, no entanto não faz sentido fazê-lo sem a escrever. Também não nos podemos dar ao luxo de arrancar muitas... cada vez ficamos com menos, e depois, onde escrevemos? Pior do que ter medo das páginas brancas é vê-las a chegar ao fim.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Olha que parece mal!"

Estou farto do "ai desculpe", do "não podes dizer isso", do "vê lá o que é que fazes", do "não lhe digas isso porque parece mal"... Sinceramente, cada vez mais, fico sem perceber o porquê deste embrulho refinado, atraente e reluzente, quando, na verdade, o que está embrulhado nem é grande coisa (a maioria das vezes). Não se trata de uma máscara que se põe e se tira, ou de um retoque. Estamos perante um viver fútil e de aparências em que todos se preocupam com o que ostentam e esquecem o que são!

Uma pessoa não pode ir de calções para um determinado sítio porque fica mal, não se podem debater determinados assuntos em frente a determinadas pessoas (os chamados tabus) porque também fica mal... Enfim, mais vale parecer tudo bem e estar tudo mal, do que alguém ter a percepção de que nem tudo está bem e estar tudo menos mal. É um bocado triste pensarmos que deixamos de fazer coisas pelo que vai parecer se o fizermos. É um bocado triste vivermos numa democracia e termos as acções censuradas, não por um lápis azul, mas pelo "parece mal" e pelo "olha o que os outros vão pensar". Claro que esta censura afecta uns mais que outros: afecta mais aqueles que, por natureza, são mais "afectados".

Dá vontade de ir de calções, onde não se "deve", falar do que não se "deve", com quem não se "deve" e, claro, fazer o que não se "deve". Obviamente, não podemos viver numa selva sem princípios e não é disso que se está a falar. O que está em causa é a ausência de verdadeiros princípios e a sua substituição por livros de etiqueta da Sra. doutora Paula Bobone (exemplificando).

Se podemos fazer o que queremos (censurando-nos a nós próprios dentro do que são os nossos princípios e não os pseudo princípios instaurados por uma sociedade superficial) porque razão temos de ouvir as barbaridades que nos dizem e deixar de o fazer?

"Não se deve ter vergonha de se ser feliz por momentos. Não se deve ter vergonha da memória de se ter sido feliz por momentos."

José Luis Peixoto in Uma casa na escuridão



"Don't ever let your mind stop you from having a good time!"

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Quem fez isto?"

Às vezes não conseguimos escolher o que escrevemos, simplesmente aparece cá fora, com uma autonomia que nos espanta, tanto a nós, como aos outros que depois lêem. Dá vontade de visualizar o interior do processo. Como acontece? Porque acontece? E melhor que isso, podemos dominar esta fera que explode e se revela quando menos se espera, ou estamos destinados a ser dominados por ela?

A "fera" não é nada mais nada menos que aquilo que sentimos, aquilo que, por vezes, julgamos não existir ou simplesmente tentamos esconder, mas que, mais tarde ou mais cedo se expõe. Então mas como é que se expõe? Simples. Muitas pessoas têm medo do que os outros pensam, do que os outros vão dizer, da exposição que vão fazer acerca delas. O mais engraçado é que a exposição é feita pela própria pessoa, por mais ninguém! Devemos pensar assim, sem mais rodeios. Somos o que somos e por mais que tentemos subvalorizar ou esconder algo, esse algo vem ao de cima e quando vem, vem mais vivo que nunca. Afinal de contas esteve fechado numa escuridão, que assusta só de pensar, durante tempo suficiente para preparar esse motim.

É nesta altura que ficamos espantados [com o que escrevemos/fazemos] e perguntamos: de onde veio isto? como fui capaz? porque fiz? vou fazer outra vez? Temos de dominar o espanto e em vez de duvidar das nossas capacidades (no fundo é disso que se trata) temos de acreditar e perceber que sempre fomos assim e só agora o descobrimos.

Mas afinal, domamos a fera e apreendemos os "skills" tornando-nos, supostamente, melhores que os nossos "eus" anteriores, ou são só efeitos esporádicos que não conseguimos controlar de tão selvagens que são? Ter todas as respostas nunca teve piada, mas aqui que ninguém nos ouve posso dar uma resposta: depende!

sábado, 28 de agosto de 2010

Cegueira (in)voluntária?

"Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

José Saramago, in Ensaio sobre a cegueira

Parecem cegos que vêem e não querem ver. Estamos perante uma amálgama de chapéus, geleiras, toalhas e outros afins menos perceptíveis (que não deixam de ser importantes no meio desta confusão de cores, cheiros e feitios). O pé de um é a cara do que se segue, num interminável comboio que numa palavra pode ser descrito - desumano. [Aqui o mandamento não é amar o próximo, em vez disso é qualquer coisa como "colar" ao próximo.] Trata-se no entanto, de um comboio em ponto de ruptura prestes a descarrilar. Uns não se conformam com a situação descrita e outros acham-na perfeitamente normal. A guerra começou.

Como podemos chegar a este ponto? Como podemos perder a dignidade e lutar como animais por um território que não é de ninguém e se espera que seja de todos? Estamos cegos e o pior é que, de facto, vemos. Não é preciso pensarmos no "campo de refugiados" descrito acima, já que, no decorrer do dia damos por nós em situações que não achamos serem possíveis (e não é por isso que deixam de acontecer): Uma senhora que pede que lhe arranjem a sombra que está avariada (e, por isso, se desloca); resíduos de uma obra a serem "libertados", livremente, no mar; um senhor que se acha no direito de tirar a vida a outros porque sim... Enfim, uma cegueira (quase) generalizada que põe em perigo a "classe" humana (a qualquer altura a fronteira entre o animal e o homem deixa de existir).

Mas há esperança! Esta reside naqueles (poucos) que vêem, que podem guiar os restantes, mostrando-lhes o caminho. Naqueles que, olhando, vêem e não finjem que não o fazem, que se incomodam, que não se conformam e que reajem.

Os mais cépticos dizem que não é uma pessoa que faz a diferença, resta saber se têm razão.

Vale a pena ser cego e viver com um pé na cara, ou reagir a partir do momento em que o cheiro começa a incomodar?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ar Fresco

(no seguimento de Quatro Paredes)

Estou a olhar fixamente para ti e nada me vem à cabeça, excepto aquilo que veio e rapidamente foi embora, tal é a lentidão de raciocínio. Pensar que em tempos a confusão era tanta, não havia nada na cabeça por não haver tempo, agora, que há tempo, não dá vontade de pensar sequer.

Queixava-me da janela fechada. Abriram-na. E agora? Agora não sei o que fazer com isso. Ainda bem, fico contente. Fico contente por finalmente não me sentir pressionado por tanto e por nada! A lufada de ar fresco chegou e com ela outros sentimentos, outras liberdades, outras confusões, não menos confusas, mas outras. A Espada desapareceu, as paredes permanecem é certo, mas a claustrofobia parece diminuir com o tempo. Até as paredes parecem desaparecer no meio deste renascimento em que me encontro. Já não me sinto entre quatro paredes, pelo menos num dos sentidos da palavra. Agora estou diante de um campo aberto, à espera que o atravessem, que corram, que saltem, que gritem, que riam, que chorem, que discutam, que sejam felizes...

É tudo isto que sinto, uma revolução, um sentir (diferente do pensar de antes) que não consegue ficar fechado sobre si próprio, um sentir que tem de ser isso mesmo: livre, vivo, irreverente, intenso e, acima de tudo, sentido.



terça-feira, 17 de agosto de 2010

Saudades

Uma palavra de três sílabas que, por si só, causa uma imensidão de reacções. Todos sabemos o que quer dizer, mas mais importante do que isso, sabemos o que é sentir essa palavra, nuns momentos mais, noutros menos.

Temos sorte de saber dar nome ao que sentimos, mas não é por isso que deixamos de sofrer, apenas sabemos e podemos dizer aquilo que nos faz sofrer. É por isso, que só de pensar magoa, irrita, enerva e revolta. Mas, afinal de contas, não podemos culpar nada nem ninguém, essa pequena palavra não é nenhuma entidade, aliás, parte de nós, ou seja, se queremos culpabilizar alguém basta olhar para dentro.

Embora seja responsável por uma revolução interior, não é necessariamente algo de mau. Fico contente ao saber que sinto saudade e que a sentem por mim, quer dizer que sinto falta de alguém (existe alguém com quem estou feliz) e que essa falta pode ser recíproca. Para existir tal sentimento, alguma marca tem de ter sido deixada. Nesse caso, neste momento, não devo ter espaço para mais marcas. É como um sufoco, o coração apertado, os olhos avermelhados... uma constante que persegue e dificulta a nossa existência e ao mesmo tempo a facilita (para existir algo de bom aconteceu antes).

Sinto falta do "olá", do "até já", coisas simples que tenho onde estou, mas que, por virem de outras pessoas, não significam o mesmo. Não que o destas novas pessoas não seja bom, mas porque o das outras o era e deixou de o ser porque desapareceu. Pior se torna quando pensamos nas conversas, nos abraços, nos aconchegos, num verão mágico num local paradisíaco que chegou ao fim.

A todos o que sentem o que sinto e lêem o que escrevo, boa sorte.




(Uma música que canaliza este sentimento, em mim, neste momento)

A ilusao de querer e poder

O que queres ser quando fores grande?

Passamos a nossa infância a ouvir, a ler e a tentar perceber esta pergunta. Quando a percebemos deixa de ser fácil a resposta. Afinal é nessa altura que sentimos a responsabilidade da decisão que temos de tomar e damos por nós a pensar "O que queres ser quando fores grande?". A pergunta altera-se: "O que quero ser, o que quero fazer?".

O mais engraçado é que passamos grande parte da nossa existência a pensar em como responder a uma questão que está, à partida, mal construída. Eu querer quero muita coisa, o problema, às vezes, é saber o quê. Mesmo assim, não é neste ponto que surge o erro estrutural. O que eu quero ser pode ser uma enorme barbaridade. Assim, não só temos de pensar no que queremos ser, como também naquilo que podemos, de facto, ser. A outros menos certos de si, mais preocupados com o ruído exterior do que o impulso interior, acresce ainda a preocupação com o que os outros idealizam acerca do seu futuro.

Imaginando que não perdemos o nosso tempo com o erro enunciado, como podemos responder a esta pergunta com algum grau de certeza?

Será a pergunta uma ilusão ou é a resposta que o é?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Definitely, Maybe

Mais um filme, mais uma história. Um filme que vai encontrar uma citação de Charlotte Brontë, da obra Jane Eyre:

"The human heart has hidden treasures, in secret kept, in silence sealed. The thoughts, the hopes, the dreams, the pleasures whose charms were broken if revealed".

Todos temos os nossos segredos, somos incapazes de viver sem eles. Funcionam como máscaras, essas, vão mudando ao longo do dia, somos vários num só. A diversidade unificada que daqui advém está guardada no segredo mais íntimo que alguma vez nos será entregue (não podemos escolher se o aceitamos ou não, não nos é perguntado, e este é nosso, não é de mais ninguém).

Podemos ser hipócritas e pensar/verbalizar que nunca nos "retocamos" em determinadas situações diárias, que nada se altera independentemente do que acontece ou está para acontecer. De facto, ao retirarmos a mascára e disponibilizarmos todos os detalhes, por vezes, o encanto é destruído. Mas tal coisa pode não acontecer. Quando conseguimos estar "nus" perante alguém, sem qualquer retoque, sem qualquer alteração forçada, sem qualquer tentativa de causar uma boa impressão pelo que não somos, é sinal de que algo está bem. Isso seria tanto melhor se fosse verificado nos dois lados da equação, se esse alguém sentisse o mesmo e se abrisse como nós o fazemos.

Poderiam os pensamentos, as esperanças, os prazeres ganhar encanto se revelados?

Definitely, Maybe.


terça-feira, 22 de junho de 2010

P.S. I love you

Acabei de ver um filme. Dele, retiro esta frase (possivelmente distorcida):

The truth is: "Kissing you will be the end of life as I know it"

Quando procuramos nunca encontramos. Quando não procuramos tudo o que queremos "cai" à nossa frente. Pelo menos, com algumas coisas é assim que funciona. Infelizmente, não funciona com tudo.
Mesmo sabendo que não é assim que as coisas se processam, tem de existir esperança de que um dia há-de ser assim.

Quase fazia sentido. Resumia-se ao seguinte: façam sempre o mesmo que um dia conseguem. Mas não, o que se pretende é: acreditem que um dia vão conseguir.

A verdade é que elas não sabem o que querem e isso está comprovado cientificamente (ou passou a estar neste instante) e nós temos de nos sujeitar. É triste mas é a verdade. Quer dizer, o amor nunca será triste, por vezes, quem ama é que, de tão feliz, parece triste. Nós não nos sujeitamos a ninguém, sujeitamo-nos a algo e, por mais que elas não saibam o que querem, nós também não.

Hoje sei o quero, assim como ontem e provavelmente amanhã. Ela não.

P.S. I love you


domingo, 20 de junho de 2010

Tu

És e sempre serás,
Porquê não sei, mas sei que serás.
És tudo o que sempre quis,
Mas Tu nunca percebeste, ou fingiste?

És a perfeição impossível de atingir.
És a beleza que não existe e se centra em ti.
Em duas palavras: és Tu!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quatro Paredes

Entre a Espada e a parede? Talvez não. Mas entre quatro paredes é certo. Sem janelas, não olho para fora, aproveito para olhar para dentro. Confusão. Não há tempo para isso. Não há tempo para nada, mas há tempo para tudo, tem de haver! O que faço? O que fiz? O que farei? Tudo são incertezas a que ninguém sabe responder: Ninguém responde o que agrada, e quem agrada não responde. Não estou sozinho, nestas paredes que me envolvem, mas falta alguém. Falta esse alguém cuja resposta é necessária. Esse alguém, que mesmo sem responder agrada. Não é preciso falar, basta um olhar, é preciso um olhar!

Entre quatro paredes, à espera, esperando por um olhar, por um sentimento que arraste este pensar para longe, por uma janela que se abre e nunca mais torne a fechar. Afinal o que falta é a janela, por favor, alguém que a abra...